
Em entrevista à jornalista Poliana Costa, gravada no Sushi Mania, Marina contou como os desafios vividos com o filho André a conduziram à área da saúde e apresentou propostas voltadas às doenças raras, à humanização do atendimento e à ampliação da estrutura de saúde no Distrito Federal
O PodDaqui DF Itinerante recebeu a Dra. Marina Noronha para uma entrevista especial conduzida pela jornalista Poliana Costa. O encontro aconteceu no Sushi Mania e marcou mais uma edição do novo projeto do Jornal Daqui DF, que leva o podcast aos estabelecimentos da região, valoriza o comércio local e aproxima o jornalismo da comunidade.
Na abertura, Poliana explicou que o formato itinerante acompanha a expansão do Jornal Daqui DF nas plataformas digitais e cria um espaço para apresentar histórias inspiradoras, iniciativas positivas e propostas de interesse da população.
Candidata a deputada federal, Marina começou a entrevista destacando sua ligação afetiva com São Sebastião e o Jardim Botânico, região onde vive parte importante de sua história e construiu relações pessoais. “Parte do meu coração está em São Sebastião. Tenho muitos amigos aqui e sou sempre muito bem acolhida pela população. Estar aqui hoje é um privilégio”, declarou.
Uma trajetória marcada pelo trabalho


Durante a conversa, Marina destacou sua ligação afetiva com São Sebastião, onde construiu amizades e parte importante de sua história. Mineira, ela chegou a Brasília aos 19 anos, trabalhou como babá e atuou por quase dez anos em um shopping.
Sua trajetória mudou com o nascimento de André, seu primeiro filho, diagnosticado com uma doença rara. Marina deixou o emprego para se dedicar aos cuidados do menino e encontrou na fé e no apoio da família forças para enfrentar as dificuldades. Pouco tempo depois, nasceu Alice, sua segunda filha, que, segundo ela, trouxe esperança e renovação para a família.
A necessidade de compreender o tratamento de André levou Marina a fazer um curso técnico de enfermagem e, posteriormente, ingressar na faculdade de fisioterapia. A decisão ganhou força depois que ela percebeu que o equipamento de ventilação mecânica utilizado pelo filho precisava ser ajustado. “Se deu certo com o meu filho, quantas outras mães poderiam estar passando pelo mesmo sofrimento? Quantos problemas poderiam ser evitados se o atendimento adequado chegasse mais cedo?”, questionou.
Marina também relatou que o diagnóstico de André não foi apresentado à família de forma humanizada. Por isso, defende a capacitação das equipes multidisciplinares, especialmente nas unidades básicas de saúde, para garantir acolhimento, diagnóstico precoce e encaminhamento adequado.
Candidata a deputada federal, ela afirmou que sua vivência como mãe atípica foi a principal motivação para entrar na política. Entre as propostas apresentadas estão políticas voltadas às pessoas com doenças raras, aos cuidadores, ao atendimento domiciliar, à saúde mental das famílias e à inclusão escolar.
Para São Sebastião, Marina defendeu a construção de um hospital capaz de atender a crescente demanda da região. Ela também mencionou a criação de uma unidade hospitalar humanizada voltada à saúde mental e de uma estrutura de referência para pacientes com doenças raras no Distrito Federal. “Eu não preciso apenas defender uma causa. Eu vivo essa causa”, resumiu.
MATERIA COMPLETA:
Mineira, Marina chegou a Brasília aos 19 anos. No início, estranhou a cidade, mas, aos poucos, passou a enxergar as oportunidades oferecidas pela capital federal. Ela começou a trabalhar ainda na adolescência, como babá, e posteriormente atuou durante quase dez anos em um shopping, inclusive como estoquista.
Sua vida mudou profundamente com o nascimento de André, seu primeiro filho, diagnosticado com uma doença rara. Durante a licença-maternidade, Marina precisou deixar o emprego para se dedicar integralmente aos cuidados do menino.
Na entrevista, ela também ressaltou a presença do marido durante os momentos mais difíceis enfrentados pela família. Segundo Marina, ele participou ativamente dos cuidados e ajudou a sustentar emocionalmente a casa diante das incertezas provocadas pelo diagnóstico.
Pouco tempo depois nasceu Alice, sua segunda filha. Para Marina, a chegada da menina renovou as esperanças da família e ajudou a direcionar os olhares para além da dor. “Na dor também existem o amor e a fé. Nossos filhos são empréstimos, e Deus confiou a mim o cuidado do André”, afirmou.
Do cuidado materno à formação na saúde
Sem conhecimento técnico sobre a área da saúde, Marina decidiu estudar para compreender melhor as necessidades do filho. O primeiro passo foi ingressar em um curso técnico de enfermagem realizado aos finais de semana, em Valparaíso de Goiás. Dessa forma, ela conseguia acompanhar André durante a semana e continuar sua formação.
Durante o curso, Marina chegou a receber colegas em sua própria casa para uma atividade sobre atendimento domiciliar e cuidados paliativos. Na entrevista, ressaltou que os cuidados paliativos não estão relacionados apenas ao fim da vida, mas também ao conforto, à dignidade, ao controle da dor e à qualidade de vida do paciente e de sua família.
A situação de André tornou-se ainda mais delicada depois de uma internação hospitalar. O adolescente passou a depender de ventilação mecânica, mas enfrentava dificuldades para se adaptar ao aparelho. Ele não conseguia dormir, apresentava grande esforço respiratório e perdia peso.
Diante do sofrimento do filho, Marina começou a pesquisar profundamente o funcionamento dos equipamentos. Com a ajuda de profissionais especializados, entre eles o fisioterapeuta Tiago, que continua acompanhando André, a ventilação foi ajustada às necessidades do paciente.
Marina recordou que, na primeira noite após a troca do aparelho, André finalmente conseguiu descansar. O momento, segundo ela, confirmou uma percepção que já vinha manifestando à equipe e despertou seu interesse pela fisioterapia. “Quando ele parou de brigar com o aparelho, a primeira coisa que pensei foi que ele não tinha resistido. Mas ele estava descansando. Naquele momento, percebi que precisava estudar mais”, contou.
André como inspiração profissional

A melhora do filho levou Marina a questionar quantas famílias poderiam estar enfrentando dificuldades semelhantes por falta de orientação, diagnóstico ou atendimento especializado. “Se deu certo com o meu filho, quantas outras mães poderiam estar passando pelo mesmo sofrimento? Quantos problemas poderiam ser evitados se o atendimento adequado chegasse mais cedo?”, questionou.
Com o orçamento familiar comprometido pelos custos relacionados à saúde, Marina decidiu fazer novamente o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para tentar uma bolsa de estudos. Ela conseguiu ingressar na faculdade de fisioterapia e ampliou sua formação na área da saúde. “Eu tenho duas opções: sentar e ver as coisas acontecerem ou fazer daquele problema uma solução. A minha maior virtude talvez seja essa: transformar o problema em solução”, afirmou.
Para Marina, André foi o principal responsável pela transformação de sua vida pessoal e profissional. “Ele foi cem por cento a minha motivação. Eu sou outro ser humano hoje. Se não fosse pelo André, eu não teria entrado para a área da saúde, não teria me tornado essa pessoa que busca direitos e políticas públicas”, declarou.
Diagnóstico, acolhimento e humanização

Outro ponto abordado durante a conversa foi a maneira como as famílias recebem o diagnóstico de uma doença rara ou de uma deficiência. Marina relatou que a notícia sobre a condição de André não foi transmitida de maneira humanizada e que sua família deixou o hospital sem o acolhimento necessário para enfrentar aquela nova realidade.
Segundo ela, médicos, enfermeiros, técnicos e demais integrantes das equipes multidisciplinares precisam estar preparados não apenas para identificar a doença, mas também para orientar e acolher o paciente e seus familiares. “Muitas mães recebem um diagnóstico sem qualquer preparação. A equipe deveria estar pronta para dar essa notícia de forma humanizada. A família precisa sair dali sabendo quais serão os próximos passos e onde poderá buscar ajuda”, defendeu.
Marina também falou sobre o processo de luto vivido por mães e pais diante da quebra das expectativas criadas para o futuro dos filhos. Ela explicou que aprendeu a conviver com a dor e a reconhecer o valor de conquistas que, muitas vezes, passam despercebidas. “Hoje, as pequenas coisas são muito importantes. Chega um momento em que o simples respirar já é suficiente. O André fala, comunica o que sente, e isso, para mim, já representa muito”, disse.
Da experiência familiar à candidatura
Marina afirmou que a vivência com o filho foi a principal motivação para ingressar na política. Segundo ela, a candidatura à Câmara dos Deputados surgiu do desejo de transformar as dificuldades enfrentadas dentro de casa em leis e políticas públicas com alcance nacional. “Se o André não tivesse existido na minha vida, a política também não existiria. Eu me preparei para representar essas famílias e essas mães. O André me preparou para estar aqui”, declarou.
Ao explicar por que optou por disputar uma vaga de deputada federal, Marina disse que pretende apresentar propostas capazes de atender famílias de diferentes regiões do país. “Quero fazer essa luta virar lei. Escolhi a candidatura federal porque essas políticas precisam alcançar o Brasil”, explicou.
Atenção integral às doenças raras
Marina ressaltou que a pauta das doenças raras não envolve somente o paciente. Para ela, é preciso considerar toda a estrutura familiar, incluindo quem abandona ou reduz a jornada de trabalho para assumir os cuidados, os profissionais de atendimento domiciliar, os irmãos, os cuidadores e a saúde mental de todos os envolvidos.
A candidata também citou a necessidade de acompanhamento adequado nas escolas e de políticas que atendam o paciente ao longo de todas as fases da vida. “Quando falamos de doenças raras, falamos de famílias, atendimento domiciliar, cuidadores, técnicos de enfermagem, irmãos, saúde mental e inclusão escolar. Essa criança vai crescer, tornar-se adolescente e adulta. É preciso pensar em toda essa trajetória”, afirmou.
Diagnóstico precoce a partir das unidades básicas
Entre as propostas apresentadas está o fortalecimento do atendimento nas unidades básicas de saúde. Marina defende a preparação das equipes responsáveis pelo primeiro contato com os pacientes para que os casos sejam identificados, acolhidos e encaminhados com maior rapidez.
Segundo a candidata, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais das UBSs precisam receber capacitação para reconhecer sinais, orientar as famílias e direcionar os pacientes aos serviços especializados.
Para Marina, uma equipe multidisciplinar preparada pode contribuir para diagnósticos mais rápidos, início antecipado do tratamento, redução de complicações e melhor utilização dos recursos do Sistema Único de Saúde.
Hospital para São Sebastião
Ao direcionar a conversa para as necessidades locais, Marina afirmou que uma de suas prioridades será defender a implantação de um hospital em São Sebastião. Ela lembrou que a região apresentou expressivo crescimento populacional nas últimas décadas sem receber, na mesma proporção, a ampliação da estrutura hospitalar. “São Sebastião me atende há muitos anos, mas não teve o crescimento urbano necessário para acompanhar o aumento da população. A região precisa de um hospital. A demanda é grande, e as pessoas não conseguem receber todo o atendimento dentro da própria cidade”, declarou.
Marina afirmou que pretende buscar políticas públicas, recursos, emendas parlamentares e apoio da União para viabilizar a proposta. Na avaliação dela, uma unidade hospitalar na região também ajudaria a reduzir a sobrecarga das UPAs e dos hospitais localizados em outras áreas do Distrito Federal.
Saúde mental e atendimento especializado
A candidata também apresentou como propostas a defesa de uma unidade hospitalar humanizada voltada à saúde mental e a criação de uma estrutura de referência para o atendimento de pessoas com doenças raras no Distrito Federal.
Segundo Marina, essas unidades devem oferecer atendimento multidisciplinar e acolher tanto os pacientes quanto seus familiares. Ela defende que a humanização esteja presente desde a atenção básica até os serviços de maior complexidade.
Apesar de ter a saúde como uma de suas principais bandeiras, Marina declarou que pretende atuar também em outras áreas e que seu mandato, caso seja eleita, não ficará restrito a apenas uma pauta. “A saúde é muito ampla e há muito a ser feito, mas não podemos nos fechar em uma única área. Quero trabalhar por São Sebastião e por toda a população do Distrito Federal, com menos burocracia e mais efetividade”, afirmou.
Fé como base das decisões
Ao longo da entrevista, Marina também falou sobre a importância da espiritualidade em suas decisões. Para ela, a fé foi fundamental nos momentos mais difíceis vividos pela família e continua orientando sua trajetória. “A minha base é a minha fé. Não existe a Marina que simplesmente arrisca. Existe a Marina que ora, busca respostas e segue aquilo que acredita que Deus mostrou”, declarou.
Ao encerrar sua participação, a candidata resumiu a relação entre sua experiência familiar e sua atuação pública: “Eu não preciso apenas defender uma causa. Eu vivo essa causa.”
Conversa terá continuação
A conversa no PodDaqui DF ultrapassou o tempo inicialmente previsto. Como a trajetória de Marina Noronha reúne experiências, desafios e propostas que merecem ser ouvidos com mais profundidade, a jornalista Poliana Costa anunciou que a entrevista terá uma continuação no final de setembro.
No próximo encontro, Marina poderá compartilhar outros capítulos de sua história e aprofundar as propostas que pretende defender. A data e o horário da nova entrevista serão divulgados nas redes sociais do Jornal Daqui DF.
Gravada no Sushi Mania, esta primeira parte reforça a missão do PodDaqui DF Itinerante de valorizar histórias reais, promover o debate de ideias e levar o jornalismo para mais perto da população.





