Festival Internacional de Capoeira transforma Sobradinho em palco de cultura, inclusão e integração entre países

 

Evento promovido pelo Grupo União na Capoeira reuniu mestres de diversos países, atletas de todas as idades e reforçou o papel da capoeira como instrumento de educação, cidadania e transformação social

Sábado, dia (25/07), foi marcado pela emoção, pela tradição e pelo respeito às raízes da cultura brasileira, Sobradinho recebeu mais uma edição do Festival Internacional de Capoeira, promovido pelo Grupo União na Capoeira, uma instituição que há mais de quatro décadas dedica-se à formação de crianças, jovens e adultos por meio da capoeira.

Muito mais do que um encontro esportivo, o festival consolidou-se como um grande intercâmbio cultural, reunindo representantes de diversos estados brasileiros e de países como Alemanha, Portugal, Noruega, Argentina, Bósnia, Sérvia e outros locais onde a capoeira brasileira continua conquistando admiradores.

Sala da Imprensa do Jornal Daqui DF

O Jornal Daqui DF, por meio da sua Sala da Imprensa, acompanhou toda a programação do evento, entrevistando autoridades, mestres, professores, empresários, atletas e famílias que ajudaram a construir uma das maiores edições já realizadas pelo Grupo União na Capoeira.

Durante a tarde de programação, centenas de pessoas participaram de rodas de capoeira, graduações, apresentações culturais, palestras, momentos de confraternização e homenagens, demonstrando que a capoeira vai muito além da prática esportiva: ela representa educação, disciplina, inclusão social e preservação da cultura afro-brasileira.

Capoeira reconhecida mundialmente

A importância do festival também foi ressaltada pelo superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Thiago Perpétuo, que destacou o papel da instituição na preservação da cultura brasileira.

Superintendente do IPHAN, Thiago Perpétuo

Segundo ele, além de proteger patrimônios materiais, como o conjunto urbanístico de Brasília, projetado por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, o IPHAN também é responsável pela preservação dos patrimônios imateriais, entre eles a capoeira.

O superintendente lembrou que a capoeira foi registrada como Patrimônio Cultural do Brasil e, posteriormente, reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, reforçando sua importância histórica para o país.

Para Thiago, o festival representa exatamente essa riqueza cultural ao reunir pessoas de diferentes gerações e nacionalidades em torno da mesma tradição.

Quarenta e três anos formando pessoas

Idealizador do festival e coordenador do Grupo União na Capoeira, Mestre Cuia comemorou o sucesso da edição e destacou que sua maior satisfação não está apenas na realização do evento, mas na transformação de vidas promovida pela capoeira.

Palestrante Cleiton Ramos, Mestre Cuia, Jornalista Poliana Costa e a graduada Linda.
Palestrante Cleiton Ramos, Mestre Cuia, Jornalista Poliana Costa e a aluna de capoeira Linda.

“Estou muito contente. Minha maior satisfação é ver nossos atletas, nossos amigos e todas as famílias reunidas. A capoeira nos ensina primeiro sobre saúde, respeito à vida e ao próximo. Esse festival representa exatamente isso.”

Durante a entrevista ao Jornal Daqui DF, Mestre Cuia também fez questão de reconhecer o trabalho desenvolvido pelo jornal.

Segundo ele, a comunicação responsável também transforma vidas.

Mestre Cuia – Organizador do Festival

“Quero parabenizar a jornalista Poliana Costa e toda a equipe do Jornal Daqui DF. Vocês disseminam cultura, valores e mostram o quanto é importante cuidar da vida, da família e das pessoas. Tenho acompanhado o jornal e vejo pessoas crescendo através das mensagens publicadas. É um jornal diferente, preocupado com o ser humano.”

Ele destacou ainda que mostrar histórias inspiradoras desperta esperança em outras pessoas.

Foto: Diego Vieira – Mestrando Corujão

“Quando mostramos alguém com quase 80 anos começando a praticar capoeira, mostramos que nunca é tarde para mudar de vida. Isso inspira outras pessoas.”

Ao ser perguntado sobre qual palavra representava o festival, Mestre Cuia respondeu sem hesitar:

“Gratidão.”

Um sonho que atravessou oceanos

Um dos momentos mais emocionantes da cobertura esteve a entrevista com Mestre Umoi, fundador do Grupo União na Capoeira.

Mestre Umoi, fundador do Grupo União na Capoeira.

Foi ele quem criou o grupo em 9 de junho de 1983, quando ainda era um jovem de apenas 19 anos.

Hoje, mais de quatro décadas depois, vê aquele sonho alcançar dimensões internacionais.

“Quando criei o grupo, nunca imaginei que ele pudesse atravessar fronteiras. Hoje estamos presentes em dez países, levando a capoeira que nasceu aqui para a Europa e para a América do Norte.”

Após morar 23 anos em Portugal, Mestre Umoi vive atualmente na Alemanha, onde continua ensinando capoeira.

Além da Alemanha, o grupo possui representantes em Portugal, Bósnia, Sérvia e outros países europeus.

Ao acompanhar o festival, emocionou-se ao perceber que seus alunos superaram o mestre.

“Sempre digo aos meus alunos que eles não têm o direito de fazer igual ao que eu fiz. Eles têm a obrigação de fazer melhor. E é exatamente isso que estou vendo aqui.”

A capoeira une países

A dimensão internacional do festival também foi destacada pelo Mestre Mak Low, que veio da Noruega especialmente para participar do encontro.

Mestre Mak Low, que veio da Noruega

Natural de Sobradinho, ele mora há 26 anos na Europa e afirmou que retornar ao Distrito Federal para reencontrar amigos e participar do evento representa uma enorme alegria.

Ao resumir o festival em apenas uma palavra, respondeu: “União.”

O mesmo sentimento foi compartilhado pelo Mestre Tucas, vindo de Portugal.

Mestre Tucas, vindo de Portugal.

Segundo ele, o Grupo União tornou-se referência internacional justamente por manter vivos os valores da amizade e da tradição.

Já o Mestre Talfilho, de Barreiras (BA), lembrou da ligação histórica entre Bahia e Distrito Federal através da capoeira e destacou que eventos como esse fortalecem ainda mais essa integração.

Mestre Talfilho, de Barreiras (BA)
Mestre Talfilho, de Barreiras (BA)

Muito além da luta

O festival também mostrou que a capoeira vai muito além dos golpes e movimentos.

O aluno Rubinho, que também atua como cantor de rap, explicou que a verdadeira riqueza da capoeira está na sua cultura.

Rubinho – Aluno e cantor de rap

Segundo ele, música, história, ancestralidade e respeito caminham juntos.

Ele ainda explicou aos visitantes o significado da corda branca, considerada um dos níveis mais elevados entre os mestres.

Capoeira para todas as idades

Uma das histórias que mais emocionaram o público foi a da aluna Lindalva, conhecida como Linda, de 76 anos.

aluna Lindalva, conhecida como Linda, de 76 anos.

Ela contou que participar da capoeira mudou sua vida.

Ao lado de crianças, jovens e adultos, mostrou que idade nunca foi obstáculo para aprender.

Outro exemplo veio de Pietro Alexandre, que contou ter iniciado a prática de forma mais intensa após os 65 anos.

Aluno Pietro Alexandre

Segundo ele, a capoeira trouxe melhora física, mental e emocional.

Família dentro da roda

O clima familiar foi outro ponto destacado durante as entrevistas.

A Sala da Imprensa recebeu a visita do Mestre Índio, da Mestra Navalia e da pequena Sophia.

Mestre Índio, da Mestra Navalia e da pequena Sophia.

Segundo Mestre Índio, o maior diferencial do Grupo União não está apenas na técnica.

“É um ambiente familiar. A amizade impera. A capoeira acaba sendo coadjuvante. O principal motivo que nos traz aqui são as pessoas, a receptividade e os laços que construímos.”

O papel do empresário no esporte

O Contra-Mestre Lucas, além de capoeirista, também atua como empresário.

Contra-Mestre Lucas,

Ele explicou que empresas podem contribuir diretamente para fortalecer projetos esportivos.

Neste festival, sua empresa foi responsável pelo apoio à comunicação digital dos participantes.

“É um evento de excelência. São mais de quarenta anos promovendo integração entre capoeiristas de diversos lugares.”

Ao definir seu sentimento, resumiu:

“Felicidade.”

E acrescentou:

“Quem é da capoeira sabe. Basta ouvir o berimbau tocar para sentir um arrepio. É uma emoção impossível de explicar.”

Prosperidade também se aprende

O palestrante Cleiton Ramos abordou durante o evento a relação entre prosperidade, família e desenvolvimento humano.

Palestrante Cleiton Ramos

Segundo ele, esporte, cultura e educação caminham juntos na formação de cidadãos mais preparados para a vida.

Apoio institucional

O deputado federal Júlio César também participou do festival e destacou a importância do investimento em projetos esportivos e culturais.

Deputado federal Júlio César

Segundo ele, iniciativas como essa promovem inclusão social, fortalecem a comunidade e oferecem novas oportunidades para crianças e jovens.

O parlamentar ainda elogiou o crescimento do Jornal Daqui DF, reconhecendo sua atuação nas plataformas digitais, nos podcasts e na divulgação das ações comunitárias do Distrito Federal.

O Festival Internacional de Capoeira também contou com o apoio do deputado distrital Martins Machado, parceiro de longa data do Grupo União na Capoeira. Durante o evento, o parlamentar destacou a importância da capoeira como ferramenta de inclusão social, preservação cultural e formação cidadã.

Deputado distrital Martins Machado

Segundo Martins Machado, incentivar iniciativas como essa é investir no desenvolvimento das pessoas e no fortalecimento das comunidades. “A capoeira vai muito além da roda. Ela preserva a nossa cultura, aproxima pessoas, ensina respeito e cria oportunidades. É por isso que faço questão de caminhar, há tantos anos, ao lado do Grupo União, fortalecendo uma parceria construída com confiança e propósito. Ver esse encontro reunir mestres do Brasil e da Europa, crianças, jovens, adultos e idosos mostra que a capoeira tem uma força que atravessa fronteiras e conecta pessoas. Nosso compromisso é continuar incentivando esse trabalho, para que cada vez mais pessoas encontrem na capoeira um espaço de acolhimento, aprendizado e transformação.”

Muito mais do que um festival

Ao longo de mais de quatro décadas, o Grupo União na Capoeira construiu uma história marcada pela formação de atletas, educadores e cidadãos.

Hoje, presente em diversos países, o grupo leva consigo não apenas a prática da capoeira, mas também valores como respeito, disciplina, solidariedade e amizade.

A edição deste ano do Festival Internacional de Capoeira confirmou que Sobradinho continua sendo uma referência nacional e internacional para a modalidade, reunindo diferentes culturas em torno de uma mesma paixão.

Com cobertura exclusiva da Sala da Imprensa do Jornal Daqui DF, o evento deixou um legado que vai além das rodas de capoeira: mostrou que a verdadeira força dessa arte está na capacidade de transformar vidas, unir famílias, aproximar povos e preservar uma das mais importantes expressões da cultura brasileira para as futuras gerações.

 

Colaboradores:

Eline Cristina – Comunicadora Social

Ana Carolina – Aprendiz

Poliana Costa
Author: Poliana Costa

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